Mostrando postagens com marcador bate papo acadêmico. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador bate papo acadêmico. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de maio de 2014

A Inteligência Coletiva e os Negócios

Várias empresas já perceberam que os investimentos em tecnologia da informação conseguiram organizar uma grande massa de dados de processos de negócio, mas esses mesmos investimentos não tiveram o mesmo nível de sucesso em gerar uma real inteligência que possibilite a inovação e a criação de diferenciais competitivos para as empresas.

Projetos de mineração de dados e gestão de conhecimento proliferaram há algum tempo dentro das organizações buscando obter informação relevante, que ajudasse na formulação de estratégias e na tomada de decisões.

A inclusão digital, as novas tecnologias móveis e o uso crescente das aplicações identificadas atualmente como “redes sociais”, possibilitam que uma grande massa de pessoas gerem, compartilhem, promovam, comentem e avaliem informações dentro e fora das empresas. Indo além das aplicações de mídias e redes sociais, esse movimento de participação e colaboração é identificado como um fenômeno de “Inteligência Coletiva”.

Não é um fenômeno novo. O homem só se desenvolveu por conta de sua capacidade de formar grupos sociais e assim criar coletivamente uma inteligência, que está presente na nossa língua, na escrita, na cultura, nos ensinamentos compartilhados, nos livros e, atualmente, nas inúmeras redes às quais nos conectamos.
Filósofos, pensadores e pesquisadores têm estudado o tema da inteligência coletiva e um sumário desses trabalhos e experiências práticas, nos levam a uma lista de sete erros crassos que as organizações cometem ao tentar capitalizar algum valor a partir da colaboração e participação de indivíduos de dentro e de fora de seus limites. Estes erros são:

(1) Não se define o que se espera da multidão ou do grupo. O coletivo é muito valorizado por suas capacidades de criação e de decisão. Um time de profissionais, que colaboram para uma solução, pode superar o conhecimento de um expert no assunto. Um exemplo bem simples dessa melhora da qualidade da informação de um grupo em relação a um indivíduo é o exercício de tentarmos adivinhar o peso de alguém. Se perguntarmos para uma única pessoa e depois fizermos a mesma pergunta para cem pessoas, para então calcularmos a média das estimativas, teremos um valor muito mais próximo do real a partir da média que de uma única observação. O coletivo oferece uma melhor estimativa.

(2) Não se define quem exatamente deve realizar a ação coletiva. Devemos definir se a atividade será realizada por um grupo livre ou regido por alguma hierarquia. As organizações são exemplos de  hierarquias empenhadas em solucionar problemas e produzir conhecimento. Mesmo em empreendimentos movimentados por multidões de colaboradores, como é o caso da Wikipedia, existem fases do processo que dependem de uma certa hierarquia de  aprovação para que um verbete seja incluído ou excluído de suas bases.

(3) Não se define a forma de motivar as pessoas para a colaboração. Precisamos identificar as motivações que levarão os indivíduos a executarem o que se espera deles. Pesquisadores do MIT identificaram que os participantes de empreendimento coletivos motivaram-se ou pelo dinheiro (motivações extrínsecas), ou pela glória (motivações intrínsecas), ou pelo amor (motivações intrínsecas e transcendentes). A base de comentários e avaliações de produtos da Amazon é construída por uma multidão de colaboradores que fazem isso pelo prazer em falar de um tema que gostam, mas também pela glória de serem identificados como especialistas no tema.

(4) Não se define a forma como a ação será realizada. Devemos definir como nos aproveitaremos da capacidade intelectual do coletivo. Podemos usar brainstormings, concursos, colaborações, votações, estimativas, avaliações, entre outras estratégias. Se queremos, por exemplo, criar uma nova logomarca para uma empresa. Uma estratégia é fazer um concurso, coletando uma grande quantidade de ideias, e novamente usar o poder da multidão para uma votação na melhor proposta. Outra estratégia é permitir que pessoas discutam e proponham mudanças nas logomarcas apresentadas e assim obter um resultado que é formado pela soma das contribuições.

(5) Não são disponibilizadas as estruturas ou infraestruturas para a colaboração. Ou seja, ter disponível um sistema que possibilitará as pessoas participarem. Isso dependerá muito de projeto para projeto, mas pode ser genericamente descrito como um ambiente ou plataforma de colaboração. Um mural, uma WIKI, uma Intranet, um fórum de debates, um sistema de votação, todos são exemplos desses ambientes. Locais em que as pessoas possam expressar sua ideia ou opinião, e debater as ideias dos demais.

(6) Os indivíduos não são orientados e treinados para a colaboração. As pessoas devem ter o conhecimento necessário para participarem e colaborarem. Quanto mais sofisticado e difícil for a plataforma disponibilizada para isso, tanto mais necessário vai ser oferecer treinamento de uso. Se as pessoas não conseguirem interagir por meio da plataforma tecnológica (mesmo que for um mural de post-its), a construção coletiva ficará prejudicada.

(7) Não é patrocinada uma cultura de colaboração. Devemos criar, e nutrir, uma cultura de colaboração. A motivação é uma das peças chave, mas o processo deve analisar os valores e as crenças da própria organização, e ir até os aspectos mais operacionais e práticos. Um contrato social de participação e envolvimento pode ser instituído entre os participantes e a organização. Um equilíbrio entre competição e colaboração pode ser usado para iniciar a implantação em um grupo menor, como uma espécie de projeto piloto que possa servir de time “campeão” para o engajamento dos demais.

Empresas como Natura e Fiat já têm envolvido seus clientes e fornecedores em processos de inovação aberta (open innovation) que nada mais é que tentativas de capturar a inteligência coletiva das massas para apoiá-los no desenvolvimento de novos produtos. Se antes as empresas limitavam-se à pesquisas de opinião (que também são forma de inteligência coletiva), hoje em dia elas abrem as portas de seus processos de negócio para que outros stakeholders participem abertamente da criação de novas estratégias.

Precisamos observar os casos de sucessos presentes em empreendimentos da “nova economia” (Wikipedia, Linux, Crowdfunding) e criarmos formas de estes conhecimentos serem aplicados à empresas da velha economia e seus processos internos e externos.

Ricardo Engelbert é professor do departamento de sistemas de informação do ISE Business School.

Read More

terça-feira, 15 de abril de 2014

A Petrobras e a Lei das S/As.

Os temas atuais relacionados à Petrobras presentes na mídia chamam a atenção pelo aparente desrespeito à vetusta Lei das S/As de 1976.

Vejamos os casos como a compra da refinaria de Pasadena (que havia sido adquirida pelo sócio belga por US$ 42 milhões e acabou custando no fim do processo quase US$ 1,2 bilhão a Petrobras), do over-run de custos da refinaria de Abreu Lima em Pernambuco (neste caso 10 vezes o valor inicialmente orçado de US$ 2 bilhões) e da política de preços de combustíveis que, de certa forma, é imposta à empresa pelo seu Conselho de Administração e que causa prejuízos significativos à empresa, obrigando-a a vender abaixo de seu custo.

Vejamos o que diz a lei no seu artigo 117 sobre a Responsabilidade do Acionista Controlador, no caso, o governo brasileiro: O acionista controlador responde pelos danos causados por atos praticados com abuso de poder.

         § 1º São modalidades de exercício abusivo de poder:

a)    orientar a companhia para fim estranho ao objeto social ou lesivo ao interesse nacional, ou levá-la a favorecer outra sociedade, brasileira ou estrangeira, em prejuízo da participação dos acionistas minoritários nos lucros ou no acervo da companhia, ou da economia nacional.

d) eleger administrador ou fiscal que sabe inapto, moral ou tecnicamente.
g) aprovar ou fazer aprovar contas irregulares de administradores, por favorecimento pessoal, ou deixar de apurar denúncia que saiba ou devesse saber procedente, ou que justifique fundada suspeita de irregularidade.

§ 3º O acionista controlador que exerce cargo de administrador ou fiscal tem também os deveres e responsabilidades próprios do cargo.

Quanto à Competência do Conselho de Administração no artigo 142:


 III - fiscalizar a gestão dos diretores, examinar, a qualquer tempo, os livros e papéis da companhia, solicitar informações sobre contratos celebrados ou em via de celebração, e quaisquer outros atos;

E quanto aos  Deveres e Responsabilidades dos Administradores, incluídos aí os membros do Conselho de Administração, na seção IV.

Dever de Diligência
        Art. 153. O administrador da companhia deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar na administração dos seus próprios negócios.


Finalidade das Atribuições e Desvio de Poder
        Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da companhia, satisfeitas as exigências do bem público e da função social da empresa.

Poderia ainda acrescentar outros artigos pertinentes aos casos mencionados acima, mas acredito que uma rápida leitura e analise dos artigos aqui incluídos nos faz pensar sobre temas caros à nossa legislação, mas ainda mais importante , caros a uma disciplina que favorece o acesso de uma empresa ao mercado de capitais: uma boa Governança Corporativa.


Uma boa Governança Corporativa é uma obrigação de qualquer empresa, seja de capital fechado ou aberto e ainda mais obvio no caso de uma empresa cotada em bolsa que tem o governo como sócio majoritário e uma parte da população como sócios minoritários. 

Fernando Bagnoli é professor do Departamento de Direção Geral 
Read More

terça-feira, 18 de março de 2014

Foco no cliente?

    Por Carlos Racca

Uma professora do IESE, Beatriz Muñoz Seca, dizia, com muita graça, que o cliente é “invejoso, rancoroso e vingativo e... que paga as contas”.

Pois já é sabido de longa data que nada acontece, numa empresa, se você não vender algo para alguém.
Mas, quem é esse alguém?

Creio que muitas vezes temos uma noção meio apagada do que seja um cliente. Na maior parte do tempo é aquele que compra nossos produtos ou serviços e está por aí. Outras vezes nem sabemos bem quem é.
Um professor de Harvard, Clayton Christensen, diz que as pessoas não compram produtos e sim soluções para os seus problemas não resolvidos.

Pois bem, minha opinião é que estamos à procura de um problema para podermos aplicar as nossas brilhantes soluções. Ou seja, qual é o cliente que se adapta às nossas propostas.

Nossa experiência em sala de aula e as inúmeras entrevistas de diagnóstico mostram que, na verdade, temos pouco conhecimento dos problemas dos nossos clientes e, portanto, não visualizamos qual solução é melhor para ele.
Diz-se que o comportamento de uma pessoa é o produto da personalidade pelo ambiente.
Ambiente:
Uma das causas dessa falta de visão é a forma que as empresas optam por incentivar as vendas: incentivos de quantidade vendida por produto, por exemplo. Essa visão estreita e de curto prazo não deixa tempo para o pessoal em contato com o cliente de procurar soluções. Tudo tem que ser rápido, tem-se que completar o volume do mês e/ou do ano porque senão o bônus fica prejudicado.

Na realidade quem fica prejudicado é o cliente.

Ter foco no cliente exige relacionamento e não creio que se possa ter um relacionamento de confiança dispondo de pouco tempo.

Não creio que se trate de matéria de marketing e sim tema em que todos dentro de uma empresa devem estar voltados para criar esse relacionamento.

Quando se pensa nas inúmeras oportunidades de estar em contato com o cliente enquanto ele se relaciona com a empresa e nas possibilidades de satisfazer ou irritar esse cliente fica claro que essa é uma tarefa de todos.

Personalidade:
O que falta é o hábito de pensar em cada uma dessas oportunidades como se eu fosse um cliente da empresa. Parece mas não é uma tarefa fácil. Sempre iremos por a nossa forma de pensar na frente e com isso perdemos o foco do ponto de vista do cliente.

Quantos de nós já visitamos o site da nossa própria empresa como se fossemos um cliente? Quantos de nós telefonou para a empresa, e sem se identificar, tentou obter alguma informação? Toda vez que faço essa pergunta em sala de aula tenho como resposta sorrisos amarelos.

É preciso aprender a escutar o cliente, o que chamamos de empatia, que não é somente uma compreensão dos problemas do cliente de uma forma externa, como observador, mas sim procurar sentir o que ele sente. Praticar a escuta ativa: perguntar com sincera intenção de entender o que ele pensa. Refrasear a pergunta e a resposta com o objetivo de demonstrar que entendeu as suas necessidades.

Sabemos que as pessoas exprimem desejos e não exatamente as necessidades. Todos têm a tendência de expor primeiro as suas qualidades e nunca os seus defeitos. Num primeiro momento, a impressão que fica jamais é a verdadeira.

A escuta ativa, através de perguntas bem dirigidas, leva a entender as necessidades e os defeitos dos clientes.

E também observar, outra habilidade que estamos perdendo, as reações dos clientes diante dos problemas e como reagem. Observar seu comportamento, suas reações e suas soluções. Essa é a essência do design thinking tão em moda atualmente.

Enfim temos que agir em duas frentes: criar um ambiente em que se facilite às pessoas desenvolverem a capacidade de enxergar os clientes, o que requer tempo e paciência e educar a essas mesmas pessoas a olharem os outros sob o ponto de vista deles e não o pessoal. 


Read More

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

IMPLEMENTAÇÃO DA ESTRATÉGIA


Bate Papo Acadêmico com Prof. Fernando Bagnoli - Departamento: Direção Geral - que responde as seguintes perguntas:
  • Ao implementar a estratégia, ela está claramente alinhada com a Missão e Visão da Empresa?
  • A estratégia entregará, na sua implementação, as propostas de valor definidas no modelo de negócio?
  • Permite uma vantagem competitiva e uma diferenciação que seja difícil de copiar, pelo menos no médio prazo e, se possível, no longo prazo?
  • É simples, fácil de entender e de comunicar?


Confira as respostas do professor numa série de artigos que estarão aqui nesta seção de nosso blog periodicamente - aproveite e envie sugestões de perguntas sobre este tema para: contato@ise.org.br.

Read More

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

MOTIVAÇÃO NO TRABALHO


Bate Papo Acadêmico com Prof. Cesar Bullara - Departamento: Gestão de Pessoas - que responde as seguintes perguntas:

  • Ao longo de sua vida profissional, é possível ser um bom líder possuindo apenas uma das motivações?
  • E é comum a falta de motivação transcendente nos dias de hoje?
  • A intensidade destas motivações altera-se ao longo da carreira do executivo?

Confira as respostas do professor neste artigo e envie sugestões de perguntas para o próximo Bate Papo Acadêmico para contato@ise.org.br - boa leitura!


Read More

terça-feira, 30 de julho de 2013

CROSS CULTURAL MANAGEMENT










Bate Papo Acadêmico com Prof. Fernando Bagnoli - Departamento: Direção Geral - que responde as seguintes perguntas:
  • Como o executivo deve se preparar para gerenciar pessoas de outros países, de cultura diferente?
  • E quais são os aspectos primordiais a considerar?
  • Como saber qual é o limite?
Confira as respostas do professor neste artigo e envie sugestões de perguntas para o próximo Bate Papo Acadêmico para contato@ise.org.br - boa leitura!


Read More